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sábado, 27 de fevereiro de 2010

Cochilar depois do almoço estimula a aprendizagem

Espanhóis, mexicanos e habitantes de diversos outros países costumam tirar
uma boa "siesta" logo após o almoço. Mas o hábito não ajuda apenas a
descansar e a fugir do calor do meio do dia. Cochilar também estimula a
aprendizagem, segundo indica um novo estudo.

A pesquisa, feita por cientistas da Universidade da Califórnia em
Berkeley, foi apresentada no domingo na reunião anual da Associação
Americana para o Avanço da Ciência (AAAS, na sigla em inglês), em San
Diego, nos Estados Unidos.

De acordo com o trabalho, uma hora de cochilo durante o dia é capaz de
restaurar e até mesmo de ampliar os processos cognitivos.

Por outro lado, quanto mais horas um indivíduo permanecer acordado, mais
"preguiçoso" se torna o seu cérebro – perder uma noite de sono derrubaria
a capacidade de armazenar novas informações em cerca de 40%.

– O sono não apenas corrige os prejuízos decorrentes de longos períodos de
privação do sono, mas, em nível neurocognitivo, leva a aprendizagem para
além de onde estava antes da soneca – explicou Matthew Walker, um dos
autores da pesquisa.

Resultados Os pesquisadores examinaram 39 adultos jovens, divididos em
dois grupos, um dos quais cochilava à tarde. Ao meio dia, todos os p a r t
i c i p a ntes foram s u b m e t idos a rigorosos exercícios de a p r e n
d i z agem com o objetivo de estimular o hipocampo, região do cérebro que
atua no armazenamento de memórias. Os resultados dos dois grupos foram
equivalentes.

Às 14h, o primeiro grupo começou um período de sono médio de 90 minutos,
enquanto o outro permaneceu acordado. Às 18h, os dois grupos foram
submetidos a nova rodada de exercícios.

O grupo que ficou desperto teve rendimento pior em relação à rodada
anterior, enquanto que aqueles que cochilaram não apenas foram melhor como
apresentaram ganhos na capacidade de aprendizagem.

Segundo os pesquisadores, os resultados reforçam a hipótese de que o sono
é necessário para "limpar" a memória de curto prazo, de modo a liberar
espaço para novas informações. De acordo com o estudo, tais memórias são
armazenadas inicialmente no hipocampo antes de serem enviadas ao córtex
pré-frontal, que tem mais espaço de armazenamento.

– É como se a caixa de entrada de e-mails estivesse cheia e, até que seja
limpa, por meio do sono, não será possível receber mais mensagens – disse
Walker.

Segundo os autores do estudo, esse processo de atualização ocorre na fase
2 do sono não REM (sigla para "movimentos oculares rápidos"), que se
encontra entre o sono profundo (não REM) e o estado em que os sonhos
ocorrem (REM).

Corr elação Os pesquisadores da Universidade da Califórnia em Berkeley
pretendem investigar se a redução de sono experimentada à medida que as
pessoas envelhecem está relacionada à diminuição na capacidade de
aprendizagem com a idade

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